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Gastronomia aliada à Nutrição

Gastronomia aliada à Nutrição

1. O sabor é o principal determinante das nossas escolhas alimentares, porém, muitas vezes, é deixado de lado no momento da prescrição dietética. Muitas pessoas também acreditam que alimentos saudáveis são “sem graça”, “sem gosto”. Esse dilema envolvendo prazer e saúde faz parte de seu dia a dia profissional? Como lida com isso?

Infelizmente, sim. Os mitos de que se alimentar de forma saudável é “sem graça” e de que alimentos saudáveis não podem ser gostosos estão presentes na maior parte das consultas. Primeiramente, sempre tento mostrar ao meu paciente que se alimentar de forma saudável não deve ser encarado como uma obrigação e/ou punição, mas como um hábito prazeroso e que trará diversos benefícios, tanto físicos como emocionais e de saúde, de modo geral.
Em seguida, sempre mostro que para ter uma alimentação saudável e atingir os objetivos de cada um, basta ter equilíbrio. É importante sempre lembrar que nada é proibido e que a alimentação não deve ser monótona. Portanto, fornecer diversas opções de alimentos e combinações faz com que a dieta proposta se torne mais atrativa, lembrando que questões culturais, emocionais e a rotina de cada um sempre devem ser respeitadas.

2. Os profissionais que aprofundam os conhecimentos sobre culinária podem ir além da indicação de alimentos na orientação nutricional, exemplificando diferentes técnicas, modos de preparo e a valorização da apresentação do prato. No caso das hortaliças, por exemplo, quais estratégias podem valorizar, além do sabor, a aparência e a textura?

A utilização de diversas formas de preparo de verduras e legumes deve sempre ser incentivada, uma vez que estes alimentos muitas vezes não fazem parte do hábito alimentar de muitas pessoas que procuram melhorar a alimentação e a saúde, e dependendo do tipo de preparo, cada alimento pode apresentar um sabor diferente. Sendo assim, deve-se sempre experimentar o mesmo alimento de diversas formas: cozido, cru, assado, refogado, entre outros.
Além do modo de preparo e método de cocção, o uso de temperos naturais também é muito interessante. As ervas e especiarias agregam propriedades nutricionais e sabor às hortaliças, aumentando sua aceitação.

3. Um dos motivos mais citados pelas pessoas como justificativa para o consumo de refeições prontas é a falta de tempo para cozinhar. Uma refeição saudável, gostosa e equilibrada pode ser preparada de maneira rápida? Quais sugestões podem facilitar o preparo de refeições completas para quem tem pouco tempo disponível?

Sim, com certeza. Uma refeição saudável e completa pode ser preparada de forma prática, e sempre é a melhor opção! Primeiramente, deve-se ter em mente o que é necessário ter em uma refeição completa: carboidratos (arroz, macarrão, batata), verduras/legumes e proteínas vegetais e animais (feijão + carne, por exemplo). A partir de um bom planejamento, deve-se escolher preparações fáceis, as quais podem ser feitas a partir de alimentos naturais, mas pré-processados/congelados, tais como legumes congelados, saladas pré-lavadas, etc. Um exemplo seria: macarrão integral cozido + atum light em água + tomate cereja + salada de alface (pré higienizada) + brócolis ao vapor (congelado). Outra opção interessante é preparar quantidades maiores de preparações mais elaboradas em dias nos quais se tenha mais tempo disponível e congelar em potinhos individuais. Assim, é só descongelar na hora de comer e completar com alimentos de fácil preparo.

4. Um fenômeno interessante é que nunca houve tantos programas sobre culinária na televisão como agora, justamente numa época em que as pessoas levam uma vida tão corrida e gastam menos tempo no preparo dos alimentos. Você enxerga neste cenário uma oportunidade para trazer as pessoas de volta para a cozinha?

Realmente, hoje em dia existem diversos programas de culinária, inclusive os com apelo saudável. Este cenário é muito importante, uma vez que é preciso dar mais valor aos alimentos preparados em casa, assim como ao simples ato de cozinhar, o que aumenta o contato do indivíduo com o alimento e, muitas vezes, melhora a sua relação e aceitação dos alimentos. Acredito que estes programas podem servir de estímulo, mas neste cenário existe um grande paradoxo, uma vez que frente aos programas que divulgam informações relacionadas à saúde e à nutrição, estão a correria e o estresse, o que pode dificultar esta questão. Sendo assim, é muito importante mostrar à população que devemos retomar hábitos antigos, como o de cozinhar e se alimentar à mesa, assim como exaltar que o equilíbrio é a chave para uma vida mais saudável.

5. Quais cursos, filmes ou leituras você recomenda para o nutricionista interessado em ampliar seus conhecimentos sobre gastronomia?

Existem diversos cursos de extensão promovidos por universidades que possuem o curso de gastronomia em sua grade curricular, por exemplo, a universidade Anhembi Morumbi (SP) é uma referência, mas existem outras instituições de ensino, tais como SENAC, Universidade do Vale do Itajaí (SC) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ). Já participei de um curso de gastronomia saudável no SENAC, muito recomendado e aprovado. Além disso, o filme “A festa de Babette”, muito conhecido e vencedor de Oscar, também é muito interessante e vale a pena assistir.

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